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7 de Abril de 2020

Entre opiniões,argumentos, informações, fatos e fake news, o que queremos afinal?

Informações desmentidas, atos envenenados de fúria, palavras que seduzem, que nos representa?

Cláudia Simões Advogada, Advogado
há 4 meses

Primeiramente confesso que fiquei insegura quanto a escolha do tema. “São tanto os temas, tantas as teses diferentes sobre o mesmo tema, são tantos os argumentos para o “concordo” ou ‘não concordo” com isso ou com aquilo, que qualquer articulista pode ficar desnorteado.

Ante esta situação, surgiu o assunto que gostaria de tratar hoje, opiniões, argumentos, informações, fatos e fake news, o que queremos afinal?

Atualmente tecnologia disponibilizada às pessoas é um mundo de informações desde fofoca à avanços científicos utilizados pena Nasa. Entre as várias informações há espaço para opiniões sobre tudo, de pessoas, sobre pessoas, de fatos e sobre os fatos, de verdades e sobre verdades. É o momento em que argumentos, fatos e fake news se confundem.

Entretanto, a tríade está presente no mundo desde os tempos imemoráveis, Joana D’ Arc que o diga, queimada viva por causa de uma fofoca, que a igreja Católica tomou como verdade, sem qualquer argumento, sem prova, sem oportunidade de “defesa” da comandante.

Salvo Melhor juízo, um dos melhores exemplos de argumentos é Sr. Winston Churchill que em 1940, se utilizando de um raro raciocino lógico, foi capaz de resgatar a alto-estima britânica e influenciar os inimigos alemães, chamando-os à união que alterou o curso da história britânica, européia e mundial.

Quanto aos fatos, ahhh os fatos, como é difícil ouvir por muito anos o argumento “contra fatos, não há argumentos!” Mas será mesmo? Em que situações não há argumentos? Se há controversa entre a origem do homo sapiens, se veio do pó ou do macaco, quem dirá os demais fatos.

Então lhe pergunto caro leitor. _ Que queres argumento ou fato?

Para se revestir de argumento não é necessário ser especialista no assunto, mas ter o mínimo de informação necessária, que seja ler, assistir uma autoridade do assunto ou mesmo nas rodas de conversas. Sim, rodas de conversas, a cultura popular é um argumento. Lembra-ti do ditado “_ Me digas com quem andas que te direi quem és.” A titulo de provocação, será que o inverso é verdadeiro? Quais argumentos para te definir a partir destas companhias?

Há um fenômeno muito interessante chamado opinião. Opinião é maneira de pensar, de ver, de julgar que o ser humano tem em relação ao mundo. Deveria levar em consideração os fatos, para formar um argumento, evitando conduzir a terceiros a praticar a fake news. Ora uma fake news, que surge de uma opinião totalmente invalidada, advindo de qualquer pessoa que a replicada várias vezes, pode conduzir a fatos desastrosos, vide o caso da escola Base, que em 1994 foi rotulada de abusadora de crianças, caso totalmente inverídico, mas que arruinou a vida de seus proprietários.

Afinal o que queremos, fatos e boatos para calcar uma opinião sentenciadora tanto para o bem quanto para o mal? Queremos argumentos para expandir nossa retórica convencer o outro sobre o melhor ou o pior de cada situação? Ou queremos replicar fatos, boatos e argumentos de outrem para eliminar a nossa neutralidade e validar nossa opinião?

Queremos informações a respeito de fato, que pode ser ou não verdadeiro. Queremos fatos, boatos, informações, opiniões e quem sabe argumentos de representantes de nossas emoções como Greta Thunberg, jovem e européia, mas esquecemos de um herói acriano morto por defender nossa Bacia Amazônica.

Na verdade queremos fatos que validam nossa opinião, dispensando o desenvolvimento lógico e racional de um argumento. Queremos fazer parte da maioria vencedora, mesmo que tomada por paixões enlouquecedoras rasgando qualquer vestígio de lógica, de um minuto de reflexão, de buscar uma segunda palavra, um segundo pensamento. Afinal, vale tudo para justiçar a fúria desmedida a um pingo de razão.

O fato é; que vivemos uma verdadeira falácia de argumentos e interpretações da verdade, e a falta de conhecimento recepciona fake news como fato argumentativo, contribuindo absurdamente para a uma opinião torpe, gerando uma informação desnecessária. Afinal é isso mesmo o que queremos?

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